é cansativo até ler.

Quando olho os meus antigos escritos, logo a garganta seca, ao perceber que tudo está na mesma situação, e que eu, não posso mudar isso com os meus próprios recursos, pois já tentei e fiz papel de ridícula. Hoje uma amiga me perguntou porque eu não abro os braços às oportunidades de ser feliz que batem à minha porta? Não sei se ter um rostinho bonitinho vale alguma coisa. na verdade, isso só te faz ficar cercada de abutres, que nada mais querem do que sugar-lhe o corpo e tuas parcas energias vitais. Quando olho no espelho, o rosto de-maquiado, só me traz a indagação do porque ainda passo um lápis de coloração preta nos meus olhos. talvez seja para esmaecer tamanha expressividade, e para que vejam agressividade nos olhos, ainda que o meu coração seja esfarinhado em cristais de açúcar, que, efetivamente enjoa, àqueles que o conhece a fundo.
Olho a minha tatuagem: um símbolo do infinito com o lado direito escrito o meu nome, e o outro lado em branco, vazio, assim como os meus olhos e as minhas esperanças, fartas de ver tanta hipocrisia nos gestos que, silenciosamente, observo.
Ninguém irá ler isso mesmo, então vou desabafar. Cansei de ter uma visão hiperbólica do mundo. Não aguento mais acreditar que a escravidão não acabou, observando a vida dos desempregados, sub-empregados e empregadas domésticas com seus direitos trabalhistas restritos. suas jornadas de trabalho ilimitadas, para assim bem servir os coqueluches dos seus patrões, criminosos, lascivos, incrédulos na justiça, que ingenuamente tento mudar em ínfimos gestos.
Cansei de ter que fazer joguinhos para ser respeitada, ouvida ou até mesmo compreendida. Queria poder ser fraterna deliberadamente, sem que pareça interessada; apenas para passar adiante a maneira que desejaria ser tratada ou que tratassem os meus semelhantes.
Me farto de provas de concurso, que nada provam, senão àqueles que tem tempo para ficar decorando termos inúteis. que nada funcionam em prática.
Cansei de ser chamada de cruel, fria e calculista, cansei de olharem para mim e não verem nada sobre a minha alma, cansei também de fingir ter uma auto estima elevada, de fingir que me acho um absurdo de inteligência de beleza; de acreditar que ser feliz não é bobagem, de fingir que não entendo nada, quando na verdade, entendo tudo, mas finjo-me de surda-muda, para não me afundar novamente num vale de lágrimas irreversível.
Cansei de me cansar, de nada adiantaria mesmo.

4 Comentários:

Pennywise disse...

pra você, a parte final de "Um Herói":

CAP 3: MORTE
Surrado pelas circunstâncias
Sem grandes perspectivas, além da labuta,
O nosso herói olha pra trás
Vê campos devastados, poeira, destroços
E um céu verde (sim... é tenebroso)
Ele nunca compreendeu essas coisas
Nem o “por quê” de tanta ingratidão
Verdade é que nunca conseguiu tratar o mundo com a mesma frieza com que foi tratado
Então ele cospe
Vira pra frente
E segue o caminho para as montanhas
Onde espera, ao menos, morrer em paz.

William Bandini disse...

You scared me.
We've got to talk...

Tangerine' disse...

não é assustador.
Tenho apenas uma percepção muito sensível em relação às intolerâncias do mundo.
Não estou melancólica will. mesmo.
as pessoas que me cercam exteriormente, se deleitam com a minha expressão alegre e até presumem verdadeiros os meus sorrisos fajutos.
sou uma boa atriz.

Tangerine' disse...

Quanto ao pennywise, tu me acrescenta palavras tão valiosas.
Não sei nem como te agradecer. de fato.

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