Andei pela manhã laranja do centro da minha cidade. O cheiro daqui é bom. precisava comprar o meu carvão pessoal, o único adorno que uso, pintar meus olhos de preto me faz sentir nefertitícamente egípcia.
Meu sotaque pseudo-sulista está feio. todos dizem. ninguém discute política aqui, cadê os meus sarais de discussões filosóficas com êxtases intelectuais, regado a tragos de iluminação calcinada de novas idéias e concepções adquiridas, compartilhadas, reconfirmadas?
Estão perdidos na leveza da felicidade superficial em ter o que comer, uma mulher entediada e parca de amor substancial e vivificante; aquela que "deus colocou no caminho" e que cuida bem da casa, um carrinho e um trocado pra viajar no fim do ano. enquanto os aboutres se infartam de luxúria, de desejos realizados por gênios medíocres e sem personalidade, se estouram de dar risada de todos vocês, alegres de sorriso amarelo. é, nós somos uma piada.
Estou me adaptando. 9 dias talvez, como foi. uma hora a menos. estou perdida. o dia demora para se findar. sozinha, perdida em minha chula genialidade chata, todos me excluem, e eu não me importo. eu sigo, me perdendo em melodias tristes da mente. e purifico a minha alma ouvindo Oasis, eu acho Oasis alegre. pelo menos secam-se com suas letras sem muita profundidade minhas lágrimas que nada mais são do que o transbordar do sentimento hiper sensível e intenso não valorizado, desprezado, confundem-o com aquilo de "você foi e voltou diferente. coisa de tabaréu."
Ontem fui comer marisco, e hoje comprei uma fitinha do senhor do bonfim branca, estou me adaptando (?). bem, fui fazendo os benditos três pedidos, não que eu acreditasse, mas o que aconteceu depois me deixou intrigada. o último era pra você, por nós. fiz os dois primeiros relacionados a minha covilidade jurista. o último nó eu não conseguia laçar. motivo o qual eu desconheço. não laçava mesmo, desfiava a trama em minha língua, afilava derretendo-se em meus carnudos lábios, minha saliva parecia ter ácido, e a pinça feita com o polegar e indicador da única mão que eu poderia utilizar, parecia não ter perícia para puxar os fiozinhos que saiam tímidos do círculo feito com os dois polos da tira mística. parei defronte a um armarinho, havia uma mulher vegetando no ócio. pensei que podia pedir para que ela desse o último nó, já que eu estava utilizando apenas uma mão, e já havia laçado os dois anteriores. logo pensei, pra ela, meu sotaque vai ser inconveniente. e o dela para mim, insuportavelmente inaudível. farei sozinha, pedir coisas às pessoas lhes dão o direito de elas dizerem: não.
Demorei 40 minutos, e já estava impaciente, com os dentes no pulso. e todos olhavam para mim na rua. eu ignorava.
Consegui após muito suplício, na porta de casa, após ter andado tudo a pé. penso que foi uma ironia a qual eu consegui talvez errôneamente interpretar, lá no final, após perder fios da trama, paciência e sanidade. conseguirei eu dar a tão desejada laçada, que arrematará os meus idealismos e até meus escritos. que só brotam na tela da minha alma, embebidos em dor e regados à nostalgia.